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![]() Crítica TeatralBlog de dicas e críticas de peças teatrais por Luciana SabbagQuarta-feira, Julho 30, 2008 blah >Comments: Segunda-feira, Abril 07, 2008
Posso considerar "As Favas com os Escrúpulos" a melhor comédia que já assisti. Óbvio que não preciso falar das atuações de Bibi Ferreira e de Juca de Oliveira, porque todo mundo já sabe que são brilhantes. Mas não resisto! Bibi é de uma vitalidade impressionante! Uma senhora de 86 anos que dança, canta e rodopia feito uma adolescente não é algo tão comum. De um simples olhar ou um sorriso a uma cena em que está embriagada, Bibi faz jus ao título de "diva do teatro". Ela atinge o auge da interpretação com uma ceninha à toa! Se a proposta do espetáculo é fazer rir, Bibi nos faz gargalhar! Até onde contei, Bibi foi aplaudida em cena aberta seis vezes! Para um ator, ser aplaudido em cena aberta é a maior glória de um trabalho. O texto, de Juca de Oliveira, é fascinante, envolvente. É uma sátira à apodridão da política brasileira, onde o autor interpreta um senador corrupto que trai a esposa com a secretária. Juca, com aquele vozeirão e tamanha grandeza em cena, atrai todos os olhares quando pisa no palco. Bárbara Paz, como a amante sem-vergonha está maravilhosa! Não assisti Adriane Galisteu interpretando o papel, mas tenho certeza de que Bárbara supera a apresentadora. Afinal, nada como uma atriz de verdade atuando. Neusa Maria Faro, outra veterana do teatro, arrasa como a empregada da casa. Papéis de empregada sempre são divertidos em comédias comerciais. Virou praxe. Se houver uma atriz vestida de empregada na foto de divulgação, algumas risadas garanto que dará. Boa a atuação do "netinho" Daniel Warren. Um pouco exagerada, talvez, mas boa. O cenário, de uma riqueza impecável! Iluminação belíssima! Dizem por aí que Jô Soares é um tipo de profissional mediano, sem nada que surpreenda. Mas, afirmo com absoluta certeza, após assistir a grandes e pequenos espetáculos, bons e ruins, ótimos e péssimos, que Jô é um ótimo diretor! Em nenhum momento me senti incomodada com algum objeto, com alguma interpretação, com algum andar, com qualquer coisa (e olha que sou detalhista). Estava tudo em perfeita harmonia! O preço salgado de R$ 80,00 do ingresso é válido. Bem válido! Não percam, porque uma oportunidade dessa não acontecerá de novo tão cedo! Em cartaz no Teatro Raul Cortez
Não pude deixar de cumprimentar os atores e dar-lhes meu livro "Fabio Sabag - Uma Vida Sob Holofotes"... Claaaro! >Comments: Quarta-feira, Fevereiro 13, 2008 .
"A Pane", de Friedrich Dürrenmatt, ficou em curtíssima temporada no Sesc Anchieta, durante meados de janeiro a meados de fevereiro, com um elenco formado por Henrique Pagnoncelli, Henrique César, Gustavo Ottoni, Rogério Freitas, Sílvia Monte, Antonio Alves e Ricardo Leite Lopes. A peça conta a história de Alfredo Traps (Pagnoncelli) que, vítima de um defeito inesperado em seu carro, é obrigado a pernoitar numa cidadezinha cuja única hospedagem disponível é a residência de um juiz aposentado. Convidado a jantar em companhia do anfitrião e de seus amigos, também antigos profissionais da Justiça, o protagonista acaba envolvido num julgamento que lhe revelará um crime jamais suspeitado. Embalados por pratos deliciosos e vinhos extraordinários, os personagens representam uma farsa divertida, mas de conseqüências trágicas. O texto, extremamente complexo, com termos jurídicos, é muito bem interpretado pelo elenco. Todos têm uma extensão vocal maravilhosa, especialmente Henrique César e Gustavo Ottoni, e uma expressão corporal belíssima. A peça é bem longa e é preciso prestar muita atenção para que se compreenda o texto por completo, por isso, não vale assistir com sono. Tudo é muito divertido, exagerado e contagiante. E ainda: a peça dá água na boca! Os pratos e drinks servidos aos personagens são de deixar qualquer um com vontade de se deliciar no primeiro restaurante francês que houver no caminho de volta. Assistam! Vale a pena! >Comments:
Como é bom assistir a atores como Sérgio Britto! Um mestre! Um verdadeiro abençoado pela Deusa da Arte. Se qualquer outro ator fizesse "Jung e Eu", a peça não ficaria tão boa. Sérgio atinge o auge de uma interpretação e torna o monólogo um espetáculo divertido e encantador. É a terceira vez que vejo Britto no palco e, a cada apresentação, me impressiono mais com a vitalidade que este homem de 85 anos tem em cena! Na peça, Sérgio Britto interpreta Leonardo Svoba, um ator shakespeariano que já passou dos 80 anos e se vê sem trabalho. Seu amigo Oscar lhe sugere interpretar o psicólogo e filósofo Jung, que aparece como um fantasma nos sonhos do ator e proporciona-lhe um laboratório único. Parece que o texto, de Domingos Oliveira e Giselle Falbo Kosovski, foi feito para Sérgio, e dá a impressão de que Svoba é uma biografia do próprio ator. Espetáculo imperdível!
É claro que tive que cumprimentar Sérgio, que sempre me recebeu muitíssimo bem. Amo! >Comments:
Em outubro, fui à estréia de "Ensina-me a Viver", no Teatro Faap. No espetáculo — uma adaptação do filme homônimo de 1971 — Glória Menezes vive Maude, uma mulher de 80 anos, apaixonada pela vida, que se envolve com Harold (Arlindo Lopes), um garoto obcecado pela morte. O elenco ainda conta com Ilana Kaplan, Fernanda de Freitas (que me surpreendeu em sua atuação) e Augusto Madeira. Figurino impecável, cenário criativíssimo. Texto entediante. Acredito que o espetáculo não tenha sido tão bom quanto eu esperava, porque fui justamente na estréia (só para convidados). Os atores estão nervosos (até Glória Menezes esqueceu o texto — mas o fez com classe!), a produção fica tensa, os contra-regras se atrapalham, o iluminador se confunde... É normal. Mas o espetáculo é longo, devagar... A história é linda (apesar de achar que um romance entre uma mulher de 80 anos e um garoto de 20 não é algo confortável à minha vista), a interpretação de Arlindo está fantástica, Glória, é claro, está uma deusa no palco... Mas eu queria mesmo que a peça chegasse ao fim. Demorou... Valeu por presenciar atuações tão dignas de bons atores, mas se você espera um romance leve e digestivo, a peça é furada. Vá com paciência. >Comments: 30/7/2007 16:42:00 O Bichinho do Teatro me picou pra valer... tá até inflamado! Depois de ler três biografias de atores (Rosamaria Murtinho, Pedro Paulo Rangel e Ary Fontoura) - e começar a ler a da Etty Fraser hoje - e de assistir a três peças em uma semana, decidi, com todas as minhas forças, que não largo esta carreira jamais!!! Chega de desistir por bobagens! Três espetáculos, completamente diferentes, com linguagens distintas... O primeiro foi "No Retrovisor", de Marcelo Rubens Paiva, com Marcelo Serrado e Otávio Müller, no Centro Cultural Vergueiro. Peça com preço popular, público bagunceiro... A trama mistura comédia com drama e a platéia não estava acompanhando as mudanças... Texto interessante, atores maravilhosos! Improvisação é uma das provas de que um ator é realmente bom e Serrado e Müller improvisam muito! Gostei!
Sábado assisti a "O Santo Parto", com Walter Breda e Raoni Carneiro, no Sátyros. Um grande problema, na minha opinião, é que quando vamos assistir a um espetáculo no Sátyros, sabemos o que nos espera. Cenas fortes, chocantes... é a lei da Praça Roosevelt! Acho que muito dessas peças é desnecessário. Muita coisa poderia ficar subentendida, mas se o público gosta, paciência. Infelizmente, para se viver de teatro, é preciso agradar ao público em primeiro lugar. Senão, a peça não vai pra frente. O texto de "O Santo Parto", de Lauro César Muniz, é realmente maravilhoso. Muito conturbador, agressivo. Radicais, não assistam! Fiquei boquiaberta com a atuação do Walter Breda! Sempre gostei dele na TV, mas não tinha visto seu trabalho teatral. Uau! Que ator! Marco Antonio Pâmio, que interpreta o Padre, é sen-sacional!!!! Não o conhecia e tive um imenso prazer em fazê-lo!
Domingo fui à "Família Muda-se", de Odilon Wagner, no Cultura Artística. Lindo espetáculo! Etty Fraser MARAVILHOSA (óbvio)! Odilon me surpreendeu. Não esperava tamanha grandeza em cena. Comédia leve, apropriadíssima para matinés dominicais, em companhia familiar. Gostei muitíssimo da atuação de Olívia Araújo! Parabéns a Fábio Brando: perfeita cenografia! Adorei as coreografias do Jaime Arôxa, realizadas pelo Odilon com a Tânia (Bondezan), pela Olívia, pelo Taiguara (Nazareth). Delícias essas comédias... você sai do teatro nas nuvens, com a cabeça vazia, sem conflitos para se pensar... Gosto muito! Provei, aprovei e INDICO!
Sabe uma das coisas que mais observo quando vou ao teatro? O público. Impressionante como cada um tem a sua característica. Isso varia conforme a sala e conforme o elenco. O texto, nem tanto. Pessoas que frequentam o Renaissance são as mesmas que vão ao Folha e ao Cultura... Quem vai no Sátyros, está nos Centros Culturais, Sesi´s e afins. Não acredito que o preço do ingresso seja o maior motivo dessas mudanças. Creio que influencia, sim. Mas os mais "cult e alternativos" preferem não assistir a atores globais, por exemplo. Já notei isso. Quem gosta dos atores consagrados (como assumo que gosto) nem sempre curte os trabalhos de iniciantes ou amadores. Também existe o público da pipoca, que acha que teatro é cinema, faz baguça, fala durante o espetáculo e insiste em abrir pacotinhos de balas e fazer aquele barulhinho típico o tempo todo. Como existe o que acha que teatro é baile de gala e se sente a pessoa mais chique do mundo por estar ali. Ainda vou fazer uma pesquisa sobre o público teatral paulistano. Até porque, os espectadores de São Paulo são completamente diferentes dos cariocas - outra coisa que notei nas salas de teatro. Enquanto eu não souber exatamente tudo que ronda um público alvo, não poderei montar meu espetáculo. Uma coisa já sei: meus espectadores não estarão na Praça Roosevelt... Comédias digestivas precisam estar em fácil acesso, boa localização e num local que haja um certo conforto. Saquei! Hehehe Ficam aqui minhas indicações. Thanks! Beijos :D >Comments: |
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